segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Os Lobos de Mercy Falls - Calafrio, de Meggie Stiefvater


“Nunca tive medo dele. Era grande o bastante para me arrancar do balanço, forte o bastante para me derrubar no chão e me arrastar para o bosque. Mas a ferocidade do seu corpo não existia em seus olhos. Ei me lembrava do seu olhar, de cada tom de amarelo, e não podia ter medo.
Sabia que ele não me faria mal.
Eu queria que ele soubesse que não o machucaria.
Esperei. E esperei.
E ele também esperou, embora eu não soubesse o quê.
Eu sentia que era a única a estender a mão.
Mas ele estava sempre lá. Me observando observa-lo.
Nunca nem um pouco mais próximo de mim, mas também nunca mais longe.
E assim tudo continuou igual, por seis anos:
a presença alarmante dos lobos no inverno
e sua ainda mais alarmante ausência no verão.
Eu realmente não pensava no tempo. Pensava que eram lobos.
Apenas lobos.”

Esse foi um livro incrível. Calafrio, Shiver, não importa o nome que você o dá, a sua historia é que comove. O amor de Sam e Grace vão alem das palavras bonitas e um casal bonito. Eles tocam na sua alma. Esse livro foi para mim o livro mais triste e mais lindo que já li na minha vida. Não sou de chorar em livros – Shadow Kiss foi uma exceção – mas se eu deixasse as emoções me dominarem, sei que teria derramado tantas lagrimas a ponto de criar um lago de água salgada. O inicio é até estranho, pois o que vemos é a Grace, com 10 anos, sendo atacada, mas ela descreve como se não sentisse dor nenhuma, e apenas esperava que a morte a buscasse entre aqueles lobos que dilaceravam sua carne. Mas eis que entra Sam, e salva sua pele – literalmente. Ai começa o amor dos dois, Grace sempre a observar Sam – seu lobo – do quintal de sua casa, e ele sempre a observa-la com seus grandes olhos amarelos.
Passam-se mais 6 anos. Todo o ano Grace espera a chegada do inverno para observar o seu lobo. E ele sempre está lá. Mas naquele ano algo diferente acontece. Jack Culpeper foi assassinado. Então de repente todos ficam preocupados com os lobos, que antes eram tão pacíficos, e que rodeia a cidade. O que fazer agora com esses animais que se mostraram tão selvagens? A resposta básica dos homens da cidade é: caça-los. Na descoberta desse plano Grace corre pela floresta para salvar os lobos, com a desculpa que sua amiga está na floresta tirando fotos. Mas ao chegar em casa encontra um garoto ferido e nu na porta da varanda.
Esse era Sam, em sua forma humana, sempre com seus grandes olhos amarelos. Grace agora esconde o menino lobo em sua casa, no seu quarto toda noite, sem seus pais saberem. Agora a luta dos dois é fazer com que Sam se torne humano o mais tempo possível, pois com a proximidade do inverno ele irá vestir sua pele de lobo e sente que aquele é o seu ultimo ano. O que fazer então para que eles possam se amar? Como fica o felizes para sempre? Por que Grace não se tornou loba quando foi mordida aos 10 anos? Existe cura para a ‘doença’ de Sam? O que aconteceu de verdade com Jack, se seu corpo foi roubado do necrotério? Essas e tantas outras perguntas rodeiam esse livro mágico. Maggie Stiefvater soube esconder as respostas e mostra-las pouco a pouco tão bem que encanta. Outra coisa que também me deixou deslumbrada foi a narrativa. Feita sim em 1ª pessoa, mas sobre 2 pontos diferentes, a cada capitulo um narrador narra, Sam ou Grace. Nunca havia visto um livro com uma narrativa igual, mas ficou incrível. Algumas perguntas ainda não foram solucionadas, mas o livro ainda tem a sua continuação, Linger(sem nome no Brasil). Os Lobos de Mercy Falls é uma trilogia que já teve seu direito comprado e pelo que tudo indica vai virar filme, como tantas series que hoje circula o mundo adolescente.

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